
O projeto de lei que trata da misoginia — entendida como a exteriorização de ódio ou aversão às mulheres — foi aprovado no dia 8 de abril. Ainda assim, enfrenta resistência, especialmente em setores mais conservadores.
Parte dessa rejeição aparece em falas públicas, como a do deputado Nikolas Ferreira, que ironizou a proposta ao afirmar que “até um bom dia agora vai ser misoginia”. Esse tipo de reação revela um incômodo com a ampliação de limites sobre comportamentos que antes eram naturalizados.
Em uma sociedade historicamente marcada pelo patriarcado, essa resistência não surge do nada. Desde o período colonial, a formação social brasileira foi atravessada por relações de violência e dominação, especialmente contra mulheres — indígenas e negras. A colonização portuguesa, por exemplo, envolveu práticas sistemáticas de abuso e controle sobre o corpo feminino, o que contribuiu para consolidar estruturas desiguais que ainda reverberam.
Além disso, durante a escravidão, mulheres negras foram constantemente violentadas, reforçando a ideia de que seus corpos poderiam ser controlados. Esses processos históricos ajudam a entender por que, ainda hoje, há dificuldade em reconhecer e combater práticas misóginas.
No cenário atual, essa lógica também aparece em ambientes digitais. Movimentos como os chamados “redpill” ganham espaço ao reforçar discursos de superioridade masculina e rejeição à autonomia feminina, muitas vezes impulsionados pelas próprias dinâmicas das redes sociais.
Diante disso, a resistência ao projeto de lei pode ser interpretada como parte de uma dificuldade maior: reconhecer privilégios e aceitar mudanças que ampliem a proteção e os direitos das mulheres.
Desse modo, isso acontece porque os brasileiros possuem diferentes níveis de percepção sobre injustiças, que variam conforme quem é afetado. Como mostra Brasil no Espelho, quem não sofre diretamente determinado preconceito tende a não reconhecê-lo. Por isso, muitos homens — especialmente brancos — não conseguem perceber as desigualdades que atingem as mulheres, a menos que busquem compreender essas questões.
Dessa forma, a resistência ao PL não se explica apenas por divergências políticas, mas também por fatores históricos, sociais e culturais profundamente enraizados. Enfrentar a misoginia, portanto, exige mais do que leis — exige também mudança de mentalidade.
Assim, parte da direita conservadora e patriarcal tende a rejeitar leis contra o ódio às mulheres, pois ainda sustenta visões em que a mulher deve ser submissa, o que acaba reforçando o machismo, a violência e a ideia de inferioridade — em contraste com o feminismo, que busca igualdade.


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