
Na cidade em que moro, existem alguns bares universitários onde, toda quarta-feira, os estudantes costumam se encontrar. Como universitária, eu também frequento esses lugares. No entanto, quase todas as vezes que vou, algo desconfortável acontece.
Na última vez, por exemplo, foram duas situações muito parecidas. Em uma delas, algumas pessoas começaram a cochichar. Perguntaram o que estava acontecendo, e a resposta foi um olhar direcionado a mim — e, de alguma forma, todos pareceram entender.
Na hora, eu ignorei, até porque não tinha compreendido completamente. Mas, quando aconteceu novamente, ficou evidente: eu não fazia parte daquele grupo como imaginava.
Essa percepção me abalou profundamente. Eu estava ali com a expectativa de finalmente pertencer a algo — e, de repente, me senti deslocada.
Desde a infância, crescemos com a ideia de uma amizade ideal: recíproca, leve, duradoura. No entanto, à medida que crescemos, as relações parecem se tornar mais instáveis, e manter vínculos verdadeiros se torna cada vez mais difícil.
Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman aponta que vivemos em uma sociedade marcada pela fragilidade das relações, onde a confiança e a durabilidade se tornam desafios constantes. Talvez isso ajude a explicar por que é tão difícil, hoje, sentir que realmente pertencemos a um grupo.
Quando essa expectativa de amizade “perfeita” não é correspondida, o resultado costuma ser frustração e sensação de desamparo. Aos poucos, isso pode até diminuir a vontade de criar novas conexões.
Além disso, pertencer vai muito além de simplesmente estar em um grupo. É possível estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-se sozinho — o que indica uma ausência real de conexão.
Para Platão, a amizade envolve reciprocidade e o desejo genuíno pelo bem do outro. Mas, na prática, nem sempre é isso que encontramos.
Então, por que permanecemos em grupos que não nos fazem bem?

Existem diversos fatores psicológicos envolvidos, como a necessidade de pertencimento, a pressão social e até dinâmicas de dependência emocional. Muitas vezes, sair de um grupo significa encarar o medo da solidão.
Além disso, com o tempo, a pessoa pode acabar se moldando ao comportamento do grupo, o que torna ainda mais difícil se afastar. Mesmo reconhecendo que aquele ambiente não faz bem, ela permanece — não por escolha consciente, mas pelas forças emocionais e sociais que a mantêm ali.
Talvez o mais difícil não seja estar sozinho, mas perceber que, às vezes, estar acompanhado não significa, de fato, pertencer.

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