Mitologia grega como símbolo de sexualidade e amor

o que a mitologia grega pode nos ensinar sobre sexualidade?



Nas últimas décadas, as mulheres possuem mais liberdade para conversar sobre sexo e entendê-lo. Então, há um aumento da repercussão do assunto sexualidade nas mesas das mulheres.

De acordo com a pesquisa “Prazeres Universa + Tech4sex”, as mulheres da geração Z, de 18 a 24 anos e que nasceram praticamente junto com a internet, tendem a começar a vida sexual um pouco mais cedo do que as gerações anteriores. Porém, como a psicóloga e sexóloga Michelle Sampaio, especialista em Sexualidade Humana pela USP (Universidade de São Paulo), comenta em uma reportagem da UOL, muitas mulheres brasileiras, 38%, têm a primeira relação sexual entre os 15 e os 17 anos; para as mais jovens, o percentual aumenta para 51%. “Ao mesmo tempo, é uma geração que está transando menos do que as anteriores, ou pelo menos com menor frequência”, percebe Michelle.

Essa mudança reflete uma profunda transformação cultural, social e tecnológica ocorrida nas últimas décadas.

Assim, a cultura do momento dessas jovens explica essas atitudes.

Os anos 1980 herdaram a revolução sexual das décadas de 1960 e 1970, mas o diálogo público e privado sobre o prazer feminino era significativamente mais restrito, marcado por tabus e, muitas vezes, calado pela crise do HIV/AIDS, que trouxe uma onda de conservadorismo moral. Assim, nos anos 1990 e poucos, o foco das conversas sobre sexualidade feminina girava principalmente em torno da reprodução, da contracepção e da prevenção de infecções. Por isso, o prazer da mulher era frequentemente tratado como secundário ou um mistério.

Já na atualidade, o debate se torna centrado na autonomia sexual, no autoconhecimento e no direito ao prazer. Conceitos como o orgasmo feminino, a masturbação e a quebra do “hiato do orgasmo” (a diferença de satisfação entre homens e mulheres) tornaram-se pautas comuns e abertas.

De um lado, estão grandes representações gregas, como Afrodite e Eros, que estão associados ao amor, à atração, à força do desejo e ao prazer sexual. Além disso, há Zeus e Europa, em cuja história Zeus assume a forma de um touro e a leva para muito longe de sua terra, mostrando que os desejos dos deuses podem estar ligados a desigualdades de poder, à sedução e ao rapto. Do outro lado, está o que tudo isso significou para a sociedade moderna, como, por exemplo, o fato de que as normas sociais influenciam as relações e de que o corpo e o gênero são representados de diferentes maneiras. Algumas narrativas permitem questionar as fronteiras que determinada sociedade estabelece entre masculino e feminino.

Para a atualidade, isso representa uma longa história de, muitas vezes, abusos e violências. Porém, para aquela época, os mitos poderiam até representar liberdade.

Em 1880, o escritor Mark Twain (1835-1910), escandalizado, classificou Vênus de Urbino, de Ticiano (1534), como “a imagem mais repugnante, desprezível e obscena do mundo”.

Em 1914, a sufragista Mary Richardson atacou Vênus ao Espelho (também conhecida como Vênus de Rokeby), de Diego Velázquez (1647-1651), com uma faca de açougueiro. Ela golpeou a tela pelo menos três vezes, em plena National Gallery, em Londres. “Eu não gostava da maneira como os homens ficavam olhando para ela de boca aberta o dia inteiro”, disse a mulher ao explicar um dos motivos do ataque.

E o que tudo isso representa para a sexualidade moderna?

Afrodite, desde seu nascimento, expressava a sexualidade, o amor e a fertilidade, seja entre os humanos, seja entre os animais. Além disso, participou da Guerra de Troia, e seu caráter guerreiro fez com que fosse cultuada pela marinha da Grécia Antiga. Isso mostra que, mesmo sendo mulher, ela mostrou jus ao nome de deusa.

Por volta de 350 a.C., a Afrodite de Cnido, de Praxíteles, foi a primeira escultura da Grécia Antiga a representar uma mulher completamente nua.

Isso, para a época, trouxe contestações e foi revolucionário, de acordo com Ulbrich, na BBC News. Sua postura na obra, tímida e vulnerável, tentando cobrir seu corpo, mostra o contrário do que era feito com as figuras masculinas, que eram representadas com poses confiantes e heroicas.

A deusa mostra sua sexualidade abertamente. Desde então, ela foi retratada, a partir dessa obra, muitas vezes com seu corpo nu, com uma nudez sedutora e, ao mesmo tempo, recatada.

Na atualidade, ela representa até um símbolo de empoderamento.

Como isso afetou a liberdade de expressão da sexualidade das mulheres?

De um lado, existem mulheres com vergonha de seus corpos e inseguras, de outro, há mulheres conservadoras, que acreditam que a mulher não deve sentir prazer e pensam que o corpo feminino é apenas para a reprodução.

Com a modernidade, é muito difícil vermos pessoas com pensamentos tão antigos, porém, em um mundo em que a religião católica reina, não é impossível.

Então, manifestações como os mitos de Afrodite e Eros e de Zeus e Europa, e obras de arte como a do corpo revolucionário da deusa do prazer, nos mostram uma realidade menos conservadora e mais livre.

Muitas histórias, como a de Dona Odete dos Santos, de 84 anos, que acabou se machucando na primeira vez que transou. No dia seguinte, não conseguia andar e morria de vergonha diante dos parentes com quem dividia a casa. Essa história foi contada ao Universa, da UOL.

No mesmo artigo, Dona Elvira Santinho, também de 84 anos, comenta que ficou em choque, que não sabia nada, nunca tinha visto um genital masculino e se assustou: “Levei um susto e saí correndo, fiquei em pé encostada na janela a noite inteira, não quis voltar para a cama”.

Expõem que agora, pelo menos, as mulheres possuem mais liberdade para conversar sobre sexualidade.

Assim, a mitologia grega, por mais que seja baseada, muitas vezes, em abusos e violência, pode influenciar um pouquinho o fato de que, nas últimas décadas, as mulheres possuem mais liberdade para conversar sobre sexo e entendê-lo.



Resposta

  1. Avatar de Michele Iacks

    que lindo seu texto isa

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