
Mais uma vez, vemos eventos climáticos destruírem ou danificarem casas na Zona Sul. E o governo avisou ou se preveniu?
Mais uma vez contamos com mortes causadas com outro extremo climático. Alguém anunciou a dimensão que teria o temporal? Pelo menos eu não recebi nada.
Porém, a Defesa Civil estadual afirma ter emitido 75 alertas entre o domingo, 20, e a segunda-feira, 21. Então, será que eu fui a única a não receber nada? Ou, os alertas não chegaram à população de Pelotas a tempo?
Assim, quantos desses alertas foram destinados especificamente a Pelotas? Eles chegaram aos moradores das áreas que seriam mais atingidas? E, principalmente, informavam a gravidade que o evento poderia alcançar?
Mais uma vez a cidade foi tomada por caos e tristeza.
E o governo? Quais planos de contingência foram colocados em prática para diminuir as consequências financeiras e humanas? E eles foram suficientes?Estamos cada vez mais próximos das eleições presidenciais , e a questão climática aparece nos planos de governo, embora uma análise do Observatório do Clima.
E em um momento como o atual, principalmente a Região Sul do país, é necessário discutir ideias que amenizem as consequências das mudanças climáticas e políticas públicas capazes de preparar as cidades para eventos extremos. Também é necessário que o poder público aja com agilidade para diminuir a burocracia e ajudar a população atingida.
Sendo assim, o poder público apenas respondeu, com eficiência, o depois da tragédia. Após o temporal, a Prefeitura começou a distribuir telhas no dia 23, e iniciou vistorias para elaborar laudos necessários à obtenção de recursos federais.
Mas, e o antes?
Será que se tivesse uma prevenção mais específica a dimensão dos damos poderia ter sido antecipada e a população estaria mais preparada?
Pelotas e região pedem ajuda aos órgãos públicos.
Nesta sexta-feira, 25, há novamente previsão de temporal e fortes ventos para a Zona Sul.
Ainda sim, mesmo depois de 48 horas do temporal, Pelotas contabiliza os prejuízos e buscava recursos para atender as famílias atingidas. Pelo menos três mil casas precisam de telhas no municípios. Navegantes e Simões Lopes estavam entre os bairros afetados. As populações residentes em periferias, vilas e áreas próximas a corpos hídricos foram as mais expostas e prejudicadas.
Isso mostra que os desastres climáticos afetam desproporcionalmente as comunidades negras e de baixa renda da cidade. Desse modo, o fato de bairros vulneráveis aparecerem novamente entre os mais atingidos também levanta outra questão: de que maneira desigualdades sociais e raciais determinam quem está mais exposto e quem demora mais para se recuperar dos eventos extremos?
Segundo o secretário Cassio Baumgarten,arquiteto e urbanista, diz a prefeitura de Pelotas que os grupos responsáveis têm trabalhado no parecer desde o início de agosto, quando aconteceu o primeiro dos quatro eventos climáticos, em pouco menos de dois meses. Também afirma que Pelotas está sofrendo um momento difícil, muitas famílias em situação de venerabilidade foram atingidas, inclusive seus amigos.
Diante da repetição desses eventos, é necessário questionar se as políticas de prevenção e adaptação existentes são suficientes para proteger principalmente as famílias mais vulneráveis.
Assim, em cada extremo climático o racismo ambiental aumenta, a invisibilidade se torna mais presente para as famílias necessitadas, e que o leite, comprado com tanto esforço, estraga por falta de luz.
Então, precisamos exigir, urgentemente, que o país comece a debater ideias sólidas sobre prevenção, adaptação e resposta aos eventos climáticos extremos.
Em um dos momentos mais importantes da política nacional, deveríamos perguntar às candidaturas: quais são suas propostas para adaptação climática? O que pretendem fazer para fortalecer a Defesa Civil? Como prepararão as cidades para eventos extremos? Como pretendem proteger as populações mais vulneráveis? E de onde virão os recursos para colocar essas propostas em prática?
Até quando vamos deixar que os efeitos climáticos tornem-se presente em nossas vidas, que pessoas morram e que precise da sociedade para ajudar o exército a salvar pessoas, como nas enchentes de 2024 da região Sul, que atingiu 478 dos 497 municípios gaúchos.
Quantas famílias ainda precisarão ficar desabrigadas para que prevenção deixe de ser apenas uma discussão para depois da tragédia?
Quem garante que a próxima não será a sua?
Quando vamos debater sobre o Brasil, realmente?
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