
Lendo uma crônica de revista, percebi que não estudo muito História, algo que sempre neguei, pois:
“quem não sabe a História esta fadado a repeti-la”
filósofo e político irlandês Edmund Burke.
E, em um momento de eleição, como estamos vivendo agora, as pessoas se interessam mais com a necessidade das mulheres solteiras não votarem, do que o cotidiano do Brasil e o que cada cargo público esta desempenhando no momento. Algo que, pra mim, deveria ser muito mais natural, visto que cuidar da economia brasileira é cuidar também do próprio dinheiro. NUNCA DIRIA QUE O FATO DE MUITAS MULHERES E HOMENS APOIAREM QUE AS SOLTEIRAS NÃO DEVEM VOTAR, NÃO É URGENTE TAMBÉM.
Porém, no mundo atual, parece que as pessoas se importam muito mais com o que um presidente falou de errado do que, de fato, com aquilo que ele fez, deixou de fazer ou tentou melhorar.
Como vimos, por exemplo, durante o período em que Bolsonaro ocupou o cargo de presidente, em seus conflitos com outros candidatos, em sua postura durante a pandemia e, principalmente, em declarações consideradas ofensivas em relação às mulheres e à população LGBT.
E é ai que entra a História. Não saber o que foram o nazismo e o fascismo torna muito mais fácil apoiarmos ideias que se aproximam dessas ideologias, especialmente quando pensando em um bem comum que seria Deus, Pátria e Família, ignorando todo o mal que elas ja fizeram anteriormente ao demostrarem quem seria o inimigo e que ele era o alvo. (Estou apenas discutindo características, discursos ou aproximações, e não afirmando que determinada pessoa ou grupo é nazista/fascista.)
Então uma coisa me chamou muito a atenção: hoje em dia as pessoas estão muito mais agressivas que antigamente. Como apontou Sara Konrath, em seu artigo sobre a diminuição de empatia dos estudantes, foram analisados dados de 72 estudos envolvendo 14 mil estudantes universitários americanos e chegou a uma conclusão triste: teve uma queda de 40% nos níveis de empatia entre 1979 e 2009. O declínio mais acentuado ocorreu nas últimas décadas desse período, coincidindo com profundas mudanças sociais e tecnológicas. Isso não significa, necessariamente, que as redes sociais sejam a causa direta dessa queda, mas levanta uma discussão importante sobre como nossas formas de relacionamento foram se transformando.
Assim, parece que o ódio ganhou novas formas de circulação com a internet. É importante considerar, porém, que muitas atitudes violentas e preconceituosas já eram naturalizadas anteriormente, como a misoginia. A diferença é que hoje determinadas opiniões conseguem alcançar milhares ou milhões de pessoas em pouco tempo.
Desse modo, é muito difícil ver o mundo tão distante. De acordo com o Brasil no Espelho, Felipe Nunes, autor do livro, explica que os brasileiros confiam principalmente nas pessoas mais próximas e que, quanto maior a distância social, maior a desconfiança. A pesquisa, feita por ele, mostra que apenas 6% concordam que “podemos confiar na maioria das pessoas”, enquanto 94% consideram necessário ter muito cuidado com os outros. Assim ele concluiu: “A falta de confiança entre os brasileiros é um desafio para o desenvolvimento social e econômico do país.”
E o pior se mostra nas manifestações políticas. O que antes poderia se expressar por pichações, protestos e outras formas de manifestação passou, em alguns casos, a envolver episódios de violência física e até mortes motivadas por conflitos políticos, intolerância, preconceito e diferenças de opinião.
A História nos mostra muitas coisas do passado que encontram ecos no presentes e talvez estejam se repetindo atualmente e os motivos para isso voltar a ser atual. Um exemplo é a própria luta pelo direito ao voto feminino. Durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, muitas mulheres passaram a ocupar postos de trabalho que antes eram predominantemente masculinos, devido à necessidade de mão de obra causada pela guerra. Depois do conflito, houve uma forte pressão social para que elas retornassem ao ambiente doméstico e aos papéis tradicionais de esposa e mãe, o país apenas queria devolve-las para serem mulheres recatadas ao lar e romantizavam extremamente essa ideia.
Assim, elas voltaram para os serviços de casa extremamente insatisfeitas e infelizes com a perda de seu direito ao trabalho, e esse gostinho pelo serviço e a tristeza resultou o que temos hoje: uma taxa de participação feminina na força de trabalho em 2023 de aproximadamente 53%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2023 (PNAD), realizada pelo IBGE, já a participação dos homens é maior, sendo 73%, assim, infelizmente, isso significa que, proporcionalmente, há menos mulheres inseridas ou buscando inserção no mercado de trabalho formal e informal. Dessa forma, esses dados mostram que mesmo as mulheres tendo que cuidar de casa, ainda frequentemente nos dias de hoje, elas anseiam e conquistam trabalho fora do ambiente domiciliar.
Além disso, as insatisfações dirigidas a presidentes e outros políticos também assumem novas formas. O “Fora, fulano” continua existindo, mas, em determinados contextos, a disputa política também passou a envolver ameaças, agressões físicas e mortes.
Nisso, a História não serve apenas para não repetirmos os mesmos acontecimentos. Esse continua sendo um de seus principais objetivos, mas ela também pode nos ajudar a desenvolver empatia e compreender experiências que não vivemos, nos auxiliando a ter empatia pelos outros, como fazíamos, na escola, quando estávamos aprendendo sobre a escravidão e, muitas vezes chorávamos imaginando a tal situação, ou quando tínhamos que ler a famosa Anna Frank, e não suportávamos sua mae chata e a agonia de viver sem falar alto, sem ate caminhar e de imaginar as cenas de cada pagina lida.
Então o que vale nós fazermos nossa parte se os próprios presidentes, ou outros com cargos políticos, ainda apoiam e/ou são cúmplices ou criminosos violentos, acusados de estupro, violência domiciliar e mais.
À medida que o mundo evolui, nós também crescemos. Porém, quanto mais a sociedade parece se tornar marcada pela busca por poder, dinheiro e influência, mais difícil pode ser separar aquilo que vemos do que acabamos reproduzindo em nós mesmos. É muito fácil nos acostumarmos com determinadas atitudes quando elas passam a fazer parte do cotidiano.
E talvez seja justamente por isso que estudar História seja tão importante.
Ela não nos entrega respostas prontas para o presente, mas nos dá um norte para tentar compreendê-lo. Ela mostra que o passado não volta exatamente da mesma maneira, mas que determinados comportamentos, ideias e estruturas podem reaparecer em contextos diferentes.
No fim, talvez a História não se repita.
Talvez nós é que repitamos determinados padrões quando esquecemos por que eles aconteceram.
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