Não é sobre odiar minha cidade



“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” – Clarice Lispector

Ultimamente, sinto que não pretendo ao lugar que estou, seja a rua ou minha própria cidade. Eles não estão no meu catalogo do futuro e me parece que nunca estarão. 

Vejo as pessoas morando na minha cidade com 30 anos e me questiono que, se elas tem dinheiro, como conseguem permanecer aqui, em uma cidade que, para mim, é vazia. 

Entendo que possuo uma percepção diferente deles todos, de todos os moradores de pelotas, mas não me entra na cabeça o que essa cidade tem e o que faz uma pessoa querer construir uma vida inteira aqui. 

Eu não odeio pelotas, só não quero viver aqui até o resto da minha vida. E, sinceramente, se eu morasse em Porto Alegre, o sentimento seria o mesmo. 

Parece que a minha geração é a única que não quer, necessariamente, viver onde nasceu. Converso com muitas pessoas da minha idade e o relato é frequente: eles querem descobrir o mundo. 

E o que isso significa para nós e para os outros? 

Somos uma das primeiras gerações a terem o contato com o celular desde cedo e isso influenciou desde o modo como pensamos, como a forma de agir. A pluralidade e a polarização permitem que tenhamos convivência com outras culturas, lugares e idiomas, além de podermos aderir o que gostamos de outros países, e isso gerou uma maneira de sabermos alguns fatos sobre o mundo, porém de forma online, o que resultou em uma vontade maior de querer ver pessoalmente tudo lido e visto nas plataformas digitais. A internet nos colocou em contato com outras formas de viver. Isso fez com que aprendêssemos muito sobre o mundo, ainda que de forma virtual. E, justamente por isso, surgiu uma vontade cada vez maior de conhecer pessoalmente aquilo que antes existia apenas na tela.

A globalização aproxima culturas e faz o mundo parecer menor, como analisa Milton Santos. Talvez por isso tantos jovens sintam vontade de conhecer aquilo que antes existia apenas nos livros ou nas telas.

Ao mesmo tempo, existe um lado negativo nisso. O Brasil enfrenta o problema da fuga de cérebros, já que muitos estudantes e profissionais deixam o país em busca de melhores oportunidades. Quanto mais conectado o mundo se torna, mais fácil também se torna imaginar uma vida em outro lugar.

O sentimento de querer fazer mais acompanha o de desenraizamento.

O Brasil é um ótimo pais, porém precisa evoluir muito em áreas de educação e de valorização de pesquisas. E, para muitos jovens,  isso favorece a emoção de que não esta fazendo algo, em sua profissão. Consequentemente, nasce uma vontade de sair do país, seja para estudar, seja para trabalhar ou simplesmente para conhecer novos ares. 

Muitas pessoas da minha geração ainda podem voar para outro lugares, mas e para os mais velhos, se eles quiserem, como poderiam criar uma nova vida tão rápido que nem um estudante? 

Acredito que se a pessoa quer viver novas aventuras o melhor momento sempre vai ser a juventude, porque é o mais favorável. É muito triste ver idosos com desejos de viajarem, mas por possuirem algum problema físico não poderem, pois isso dificultaria muito seja uma trip ou uma nova fase da vida longe de sua cidade e país natal. 

Talvez seja por isso que eu tenha tanta pressa. Não porque eu rejeite o lugar de onde vim, mas porque tenho medo de deixar para depois uma vida que ainda posso viver agora.


vinho vida e vitórias

Respostas

  1. Avatar de Jedison Iacks

    😍😍😍

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  2. Avatar de Jedison Iacks

    parabéns isa

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  3. Avatar de Jedison Vargas

    amoooo

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