
Recentemente, comprei algo que para mim sempre foi um sonho infantil.
Sabe quando você idealiza tanto algo que, quando acontece de um jeito diferente do imaginado, tudo desmorona?
Então, comigo ocorreu algo parecido.
Comprei um computador que, para mim, sempre pareceu um sonho muito distante, algo quase irreal. Porém, com as minhas economias, consegui realizar esse desejo. Mas não foi exatamente como eu esperava. Claro que amei a compra e, mesmo sendo uma das melhores coisas que eu poderia adquirir neste momento, algumas situações acabaram estragando o cenário perfeito que eu havia criado na minha cabeça.
Uma delas foi o fato de eu nunca conseguir, de verdade, contar para as pessoas sobre as minhas conquistas, porque morro de medo de inveja e de olho gordo.
Assim, quando o peguei, falei apenas para três pessoas que não eram da minha família próxima. Eram amigos muito queridos, porém, mesmo extremamente feliz, não consegui expressar tudo o que estava dentro de mim.
Tenho problemas com a inveja e, então, o mais estranho foi perceber que eu tinha medo de ser feliz em público.
Essa compra não foi apenas algo para a minha faculdade ou para os meus estudos, mas também representou muito mais do que realizar um sonho de criança.
Desde sempre sonhei em ter um computador desse patamar. Porém, minha família e eu nunca tivemos condições de comprar algo tão caro e que, na nossa visão, poderia estragar facilmente. Então fui adiando esse desejo. Só que, depois de ver alguns anúncios nas plataformas online, acabei decidindo que realmente o queria.
Já meus pais nem tanto. Foram contra desde o início, até, claro, eu mostrar que tinha todo o dinheiro guardado para fazer a compra.
Durante toda a minha adolescência, esse computador esteve extremamente presente no meu imaginário, seja em filmes americanos ou na minha amada série Sex and the City, em que Carrie, a personagem principal, andava para lá e para cá com seu computador nas mãos para escrever. Isso criou em minha cabeça a ilusão de que talvez eu pudesse ser ela.

Por muito tempo eu não desejei apenas um computador. Desejei tudo o que ele representava: a liberdade das personagens dos filmes, a independência de quem trabalha com criatividade e a sensação de finalmente estar vivendo a vida que imaginava para mim.
Quando o recebi, meus olhos brilharam. Foi uma felicidade sem tamanho.
Porém, quando o usei pela primeira vez, descobri que muitas das coisas que eu imaginava que ele teria, na verdade, não tinha. Fiquei triste. Talvez meu iPad continuasse desempenhando muito bem suas funções e não houvesse tanta necessidade de comprar um computador.
Com isso, percebi que passei dias imaginando como seria aquele momento e, quando ele finalmente chegou, me senti um pouco decepcionada.
Em menos de 24 horas, descobri que havia pago mais caro do que ele costumava custar no mercado, que ele fazia muitas das mesmas coisas que qualquer outro computador e que talvez toda aquela idealização servisse para preencher alguma coisa que existia dentro de mim.
Passei dois dias inteiros ansiosa esperando sua chegada, mas, quando ele finalmente chegou, tudo pareceu apenas um sonho.
Foi caro, sim.
Mas foi comprado com o meu dinheiro.
Tenho 18 anos e já consegui comprar algo desse valor com o dinheiro do meu próprio trabalho.
Foi grande sua quantia, tirou praticamente todas as minhas economias, mas foi fruto do meu esforço.
Eu esperava mais? Claro.
Como acontece com muitos sonhos de infância.
Mas ainda assim foi uma das melhores compras que já fiz.
Possivelmente, eu esteja entrando na fase adulta.
Mas, mesmo saindo da adolescência, ainda tenho medo da inveja e continuo sendo um pouco supersticiosa. Acredito que, se eu contar para todo mundo sobre as minhas conquistas, meus sonhos podem dar errado.
Talvez o computador nunca tenha sido apenas um computador.
Quando finalmente chegou, descobri que sonhos realizados também decepcionam. Não porque sejam ruins, mas porque a imaginação sempre cria versões mais bonitas da realidade.
Ainda assim, ele continua sendo uma das melhores compras que já fiz. Não pelo que ele faz, mas pelo que representa.
Foi a primeira vez que olhei para algo caro, desejado e distante e pensei: eu consegui.
Provavelmente, a vida adulta comece exatamente aí.

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