
Com o objetivo de encontrar “o melhor grupo” na faculdade, acabei entrando em um que, no início, não parecia exatamente o que eu queria.
Eu imaginava algo diferente: um grupo diverso, comunicativo, daqueles que se destacam naturalmente. Talvez, de certa forma, eu até esteja em um assim. Eu converso com várias pessoas, gosto de todos, mas ainda parecia que faltava alguma coisa.
No fundo, eu queria mais.
Queria estar em todos os grupos ao mesmo tempo, conhecer todo mundo, fazer parte de tudo.
Cresci assistindo filmes em que isso parecia possível. Em Legally Blonde, por exemplo, a protagonista é confiante, querida por todos e sempre muito bem inserida. Em tantos outros filmes adolescentes, os personagens são extremamente comunicativos, circulam entre grupos e parecem nunca se sentir deslocados.

Sem perceber, eu comecei a acreditar que a faculdade seria assim.
Mas, fora da ficção, não é.
Desde os primeiros dias, os grupos já estavam se formando. Aos poucos, percebi que as pessoas já tinham com quem conversar, já estavam se aproximando — e aquela ideia de ser “amiga de todo mundo” começou a desmoronar.
Aquilo me desestabilizou.
Mesmo conversando com várias pessoas, ainda parecia insuficiente. Era como se falar com muitos não fosse o mesmo que pertencer a algum lugar.
No churrasco da turma, tive a chance de falar com quase todo mundo. E falei. Foi ali que me identifiquei mais com algumas pessoas. Ainda assim, aquela ideia de ter um grupo “destacado” não se concretizou.
E tudo bem.
Hoje, eu gosto do grupo em que estou. Gosto das pessoas, do jeito leve como convivemos, do fato de ninguém excluir ninguém.
Aos poucos, fui entendendo que, para ser vista, eu não preciso estar em todos os lugares ao mesmo tempo — nem me dividir em mil versões diferentes só para caber em todos eles.
Talvez pertencer não tenha a ver com quantidade, mas com verdade.
E, no fim, percebi algo simples:
eu não sou tão diferente assim.
Sou tão estranha quanto todo mundo — e talvez seja exatamente isso que nos aproxima.

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