A cultura da comparação



Hoje recebi um “tapa na cara” — não literal, mas daqueles que fazem a gente perceber algo que estava óbvio o tempo todo.

Conversando com minha psicóloga, entendi que a vida universitária não funciona como a vida escolar, especialmente para quem veio de um colégio particular. Pode parecer óbvio, mas nem sempre é — principalmente quando se está acostumada a um certo tipo de lógica.

Na escola, tudo gira em torno da comparação. Quem tira a melhor nota, quem se destaca mais, quem recebe o “prêmio” no final do ano. Existe uma disputa silenciosa que molda a forma como nos enxergamos.

Ser melhor que o outro vira objetivo.

Mas e na faculdade?

Quando entramos na universidade, o cenário muda completamente. Todo mundo está nervoso, perdido, tentando entender onde está e, principalmente, quem é. Não existe mais um ranking claro, nem um sistema tão visível de comparação.

No meu primeiro dia, percebi algo quase automático: notei que uma pessoa se comunicava melhor do que eu — e senti inveja.

Assim, como em High School Musical, cada personagem parece saber exatamente quem é: o atleta, a inteligente, a artista. Quando cheguei na faculdade e vi pessoas se comunicando melhor que eu, a primeira coisa que senti foi comparação — como se eu estivesse atrasada em relação aos outros.

Aquilo me incomodou.

Porque percebi que não era sobre aquela pessoa. Era sobre o que eu aprendi durante anos: comparar, medir, competir. Desde o início da vida escolar, somos ensinados a nos comparar com quem está ao nosso lado. Se alguém é melhor, sentimos inveja. E, muitas vezes, isso é visto como algo positivo, porque nos “faz melhorar”.

Mas essa lógica cobra um preço.

Ela gera uma sensação constante de competição, até mesmo com pessoas que não estão competindo com você. Alimenta insegurança, sensação de inferioridade e uma necessidade de validação que nunca se satisfaz completamente.

O mais curioso é que, dentro da bolha da escola, isso parece normal. Tão normal que nem percebemos. A comparação vira hábito. A inveja vira combustível. E tudo isso passa a ser automático.

Só que, quando chegamos na faculdade, esse sistema não se sustenta da mesma forma.

Ali, ninguém está prestando tanta atenção em você. Cada um está lidando com seus próprios medos, dúvidas e inseguranças. Não existe mais aquela estrutura que reforça constantemente quem é “melhor” ou “pior”.

E isso assusta.

Porque, de repente, ficamos sem a régua que usamos a vida inteira para nos medir.

Talvez o verdadeiro desafio da faculdade não seja apenas aprender conteúdos novos, mas desaprender essa necessidade constante de comparação.

E talvez o problema nunca tenha sido os outros, mas a forma como eu aprendi a me enxergar e como eu me comparo comigo mesma.

-beijos,

isa.

Respostas

  1. Avatar de Focus Formaturas

    parabenss

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  2. Avatar de Focus Formaturas

    muito instigante sua visao

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