
O primeiro dia de aula sempre vem acompanhado de uma pergunta silenciosa:
será que vou me encaixar aqui?
Essa semana começaram minhas aulas, e junto com elas vieram sentimentos que eu já esperava — ansiedade e medo.
Quando pensamos no primeiro dia de faculdade, geralmente imaginamos dois cenários. No primeiro, tudo dá errado: a timidez toma conta, o corpo trava, e você não consegue se soltar. No segundo, tudo flui: você conversa com todo mundo, se apresenta com facilidade, e as coisas simplesmente acontecem.
Eu pensei apenas no segundo cenário.
Mas a realidade não foi como o esperado.
A expectativa de um primeiro dia perfeito não se concretizou. Imaginei uma turma cheia de pessoas comunicativas, conversas acontecendo naturalmente, conexões surgindo com facilidade. Porém, o que encontrei foi diferente.
Na verdade, as pessoas estavam tão assustadas quanto eu.

Sempre me considerei comunicativa, mas, quando algumas meninas começaram a se apresentar, senti minha autoconfiança desaparecer. Em vez de falar, observei. Em vez de me mostrar, me retraí.
E talvez o mais inesperado tenha sido isso:
para um curso de jornalismo, havia muitas pessoas tímidas — inclusive eu.
A sala, com cadeiras azuis e dois ar-condicionados, também não correspondia à imagem que eu tinha criado. Era tudo mais simples, mais silencioso, mais real.
Mesmo assim, o medo de não fazer amigos continuava ali, constante, quase insistente.
Percebi que, quando imaginei um cenário perfeito — cheio de conversas e pessoas interessantes —, não considerei o silêncio que pode existir entre uma interação e outra.
E talvez seja justamente nesse silêncio que tudo começa.
Ainda não sei se esse lugar vai se tornar meu. Mas, por enquanto, já é um começo.
-beijos,
isa.
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