
O livro senhora, escrito por José de Alencar, narra a história de Aurélia, personagem principal, e de Fernando Seixas.
Esse romance possui uma crítica forte a instituição casamento na década de 1870. Assim, o livro foi publicado pela primeira vez em 1875, e por isso a obra provocou debates por apresentar uma crítica direta ao casamento por interesse e às relações sociais mediadas pelo dinheiro.
José de Alencar, era um homem além de seu tempo, mesmo escrevendo na época do romantismo no Brasil, senhora apresenta elementos que antecipam preocupações do Realismo, sobretudo pela crítica às relações sociais, ao casamento por interesse e ao papel do dinheiro na sociedade.
Assim, Senhora, integra-se a categoria de romances urbanos, fazendo uma forte crítica aos casamentos por interesse e à hipocrisia da alta sociedade carioca do século XIX.
A obra ao relatar um casamento sem amor, relaciona-se ao orgulho de Seixas, e enquanto ele tava endividado não queria casar com Aurelia, assim apareceu uma proposta com o dote de 30 reis, ele aceitou.
Porém, no desenrolar do livro Seixas recebeu uma nova proposta de casamento, feita pelo tio de Aurelia, mas sem saber quem seria a noiva, com o dote valendo 100 mil reis, então ele aceitou sem nem pensar em sua atual noiva. No dia do casório, Fernando, com medo de ser uma mulher idosa, percebe-se que foi vendido pelo dinheiro.
Quando descobre que a noiva é sua ex-amante, Aurélia, se sente humilhado, e essa humilhação aparece várias vezes ao longo da prosa.
Aurélia fez tudo por vingança e não se cansou de humilhar-lo, mostrando para o esposo que ele foi comprado, e de tirar a liberdade do próprio, organizando assim o casamento em forma de devolução por tudo que ele fez ela sofrer no passado, mas seus sentimentos são mais complexo do que um simples desejo de humilhar Seixas. Ao longo do romance, o orgulho e o amor entram constantemente em conflito.
Mesmo o livro não sendo atual, os temas, como orgulho, humilhação em casamento, machismo, demostram que José de Alencar é um escritor atemporal.
Assim, talvez, por sua linguagem robusta dos anos de 1870, achei o livro complexo, demorei 10 dias para le-lo, mesmo tendo apenas 250 páginas. Acredito que a obra despertou algumas questões em mim, como o amor nunca foi suficiente para manter uma relação e me levou a refletir se o amor, sozinho, é capaz de sustentar uma relação quando orgulho, dinheiro e interesses sociais passam a determinar as escolhas dos personagens, também, o quanto o dinheiro pesa na maioria das dúvidas sociais. Além disso o autor mudou o papel social, normalmente desencadeado, pela mulher e pelo homem. Enquanto um, em muitas histórias de época, precisa se casar para não ser vista como indesejada, o outro é quem humilha e faz o que quer com sua esposa. Assim, em muitos casos, na atualidade, acontece o mesmo, o homem, machista e patriarcal, não aceita sua namorada viver, trazendo angustias para essa e não para ele.
Desse modo, Aurélia rompe parcialmente com o modelo feminino da época. Rica e independente, ela assume o controle da negociação do casamento e transforma Seixas em objeto de compra, invertendo temporariamente a lógica patriarcal da sociedade do século XIX. Ainda assim, permanece presa aos sentimentos que nutre por ele, revelando a complexidade de sua personagem.
Nesse contexto, mais de 150 anos após sua publicação, Senhora permanece atual porque mostra que relações afetivas podem ser atravessadas por interesses econômicos, orgulho e disputas de poder.

- O que é o Ampara Mulheres?
- Resenha – O Sol é para Todos
- Quando a morte voltou a bater à porta
- Resenha- Senhora, José de Alencar
- Como o Talibã transformou mulheres em alvo no regime?

Deixe um comentário