O que fazer quando o mundo parece estar contra nós?

“Quem melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora? Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão?” – Paulo Freire.

Dito isso, como mulher e para outras mulheres, escrevo esse pequeno texto para servir de dicas para o que fazer nessa situação que o mundo se encontra. Pois, durante muito tempo pensei que ler sobre política e feminismo era apenas um interesse acadêmico. Hoje percebo que é também uma forma de proteção.

Nesse momento, abro o Instagram pela manhã e encontro mais uma notícia sobre uma mulher assassinada. Abro o TikTok e vejo outra falando sobre violência doméstica. Em poucos minutos, a sensação é de que o mundo está desmoronando. Sou bombardeada por informações e notícias de mulheres.

Mulheres que sofrem, que morrem, que se casam com quem não querem, que são estupradas, que apanham, que não podem ir ao médico, que não podem falar, etc… Crianças que se casam com 9 anos, que são mortas, abusadas, que não podem estudar, e outros.

Então, aqui é um guia com dicas para você saber o que fazer nesse momento.

Primeira, não se deprima com notícias, elas servem para que nós possamos reivindicar mudanças e nossos direitos, porém fique triste e mostre sua tristeza para todos e se expresse.

É difícil separar o que vemos com a realidade que vivemos, porém é necessário para que possamos mudar. Fique magoada, mas não desalentada, lembre-se elas precisam de nós.

Essa dica nos lembra Paulo Freire, ao afirmar que, quem, melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora? Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão? Os oprimidos, os que vêm das margens que nesse caso são as mulheres e crianças. Logo, NÓS.

Sinta e compartilhe, seja com os amigos, seja nas mídias sociais, mas mostre para todos a verdade com clareza.

Segunda, não podemos votar em quem já se mostrou opressor das mulheres, seja Trump, seja Bolsonaro, seja Nikolas Ferreira, nenhum deles parece dar a mínima para nós, todos já falaram várias frases machistas, como no livro do presidente: “Nação Trump: a Arte de Ser Donald”, no momento em que comenta sobre o filme “Pulp Fiction: nos Tempos da Violência”, de Quentin Tarantino: “A melhor parte de qualquer filme, não importa qual, é quando eles fazem as mulheres calarem a boca.” E obviamente tem mais: em 2014, em um vídeo exibido pelo programa “Last Week Tonight”: “Se uma mulher quiser ser jornalista, ela precisa ser sensual. Se fôssemos politicamente corretos, diríamos que a aparência não conta nada. Mas é claro que a aparência é importante.” E como Nikolas sendo contra a criminalização da misoginia, pois, de acordo com ele, “até um bom dia, agora, vai ser misoginia”. Isso expõe que eles nunca vão, se não estudarem, reconhecer privilégios e aceitar mudanças que ampliem a proteção e os direitos das mulheres. Nisso, acredito que essas frases não só me deram repulsa, como também em você.

Por isso, repito: não vote em quem já mostrou não se importar nem um pouco com as mulheres. Uma vez, Felipe Nunes escreveu em Brasil no espelho, e me marcou muito, que se uma pessoa não sofre algum problema social, seja racismo, desigualdade ou machismo, ela nunca vai saber o sofrimento. Assim, temos que eleger quem nos entenda e quem está no nosso lado.

Não deixe distopias como o livro ‘O Conto da Aia” (The Handmaid’s Tale), de Margaret Atwood, se tornar realidade. Pois a obra critica o patriarcado e o extremismo religioso ao retratar a República de Gilead, um Estado teocrático e totalitário que substituiu os Estados Unidos após um golpe de Estado. E ao observar o crescimento de determinados discursos políticos e sociais, essa possibilidade me parece menos distante do que eu imaginava anos atrás.

Terceira e última dica: leia, leia tudo que tiver pela frente, livros antigos e novos de sociologia, filosofia, política, como “Brasil no espelho”, fala sobre muitos problemas sociais que o Brasil possui e contextualiza- os, ou “escritos políticos”, que foi escrito por Frantz Fanon durante a guerra de descolonização da Argélia, explicando a brutalidade do colonialismo e a força da luta por libertação, seja os mais genéricos ou mais diferentes, por exemplo, “tempo perdido”, que conta relatos de indígenas e que tiveram suas terras perdidas pela agricultura e pecuária e suas lutas para terem onde morar, todos eles vão te dar um olhar crítico sobre as situações. Leia notícias e reportagens, elas vão expressar o que está acontecendo no mundo, como jornais “Estadao”, “BBC News”, e “CNN Brasil”. Não se limite a só um tipo textual.

Assim, lembre que na República Islâmica do Irã os direitos humanos são como água e óleo, não se misturam- assegura Parnaz Imani, iraniana que vive no Brasil. E em qualquer outro lugar é assim.

Assim, talvez o mais importante seja entender que informação, leitura e participação política não eliminam a violência contra mulheres e crianças de um dia para o outro. Mas ajudam a impedir que ela seja naturalizada. E toda mudança social começa quando alguém se recusa a aceitar como normal aquilo que deveria causar indignação.



Respostas

  1. Avatar de Jedison Iacks

    parabéns isa

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  2. Avatar de Jedison Iacks

    realmente consegues colocar em cada palavra um sentimento

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