
Com as provas chegando, a tensão na faculdade aumentou um pouco.
Assim, gente que eu já não gostava comecei a odiar mais ainda, e isso inclui uma menina que é relativamente próxima de mim.
Ela, desde o início do semestre, expressava um pouco de inveja de mim, porém eu não posso negar que também sentia o mesmo dela.
No final da semana passada, a turma recebeu as notas de um trabalho: ela tirou 10 e eu 7. Me senti, como sempre, uma inútil por causa da avaliação. Mesmo sem chorar ou demonstrar muito, aquilo me abalou.
Ela acabou sendo um pouco esnobe com a nota, o que piorou ainda mais minha sensação de inferioridade.
Mas, quando ela tirou 7 em uma prova e eu 9, sendo sincera, fiquei feliz pela má sorte dela naquela matéria.
Talvez porque a faculdade desperte um lado competitivo nas pessoas que ninguém comenta muito. Todo mundo parece amigável, mas existe uma comparação silenciosa acontecendo o tempo inteiro. Quem fala melhor, quem escreve melhor, quem os professores elogiam mais, quem parece naturalmente inteligente.
Assim como em Cisne Negro, a necessidade de ser suficiente acaba transformando admiração em rivalidade.

E acho que eu e ela somos muito diferentes.
Ela tem características muito marcantes, principalmente o perfeccionismo. Parece o tipo de pessoa que precisa fazer tudo certo o tempo inteiro. Já eu tenho quase o extremo oposto: um anti perfeccionismo que às vezes me faz parecer desleixada ou insuficiente perto de pessoas como ela.
Talvez seja exatamente essa diferença que cria esse pequeno conflito silencioso entre nós.
Mesmo com tudo isso, eu acho ela uma menina legal. Só acredito que nunca vamos nos dar tão bem a ponto de fazer outro trabalho juntas.
Porque existem pessoas que admiramos e competimos ao mesmo tempo — e talvez essa seja uma das relações mais estranhas que existem.

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