O medo de existir em voz alta



Eu já fui uma garota tímida, que quase não falava, tinha muito medo de ser julgada, não era confiante e, talvez o pior de tudo naquela época, tinha vergonha das minhas próprias opiniões.

Por algum motivo, tudo isso mudou durante o meu intercâmbio. Foram apenas três semanas e meia, mas parecia que tudo o que existia em mim desapareceu e surgiu a Isadora que eu sempre quis ser.

Antes dessa viagem, eu escrevia várias vezes sobre a pessoa que queria me tornar — alguém sem performance, sem medo e mais verdadeira comigo mesma. Talvez tenha sido a famosa “lei da atração”, ou talvez apenas o fato de estar longe de tudo que me limitava. O que sei é que tive um ótimo desempenho nas conversas, fiz muitos amigos e me senti leve de um jeito que nunca havia sentido na minha própria cidade.

E essa mudança me fez pensar: o que realmente mudou?

A conversa é uma das coisas que mais nos diferencia dos outros animais, mas, para muitas pessoas, ela também é uma das partes mais difíceis da vida humana.

Fatores como timidez extrema, ansiedade social e pânico tornam isso ainda mais complicado. O medo excessivo do julgamento e das situações sociais faz com que até uma conversa simples pareça uma ameaça.

Segundo a SBT News, uma em cada dez pessoas no Brasil sofre com algum tipo de fobia social. Além disso, a ansiedade se tornou uma das doenças mentais mais discutidas atualmente. Muitas crianças crescem imersas no celular e acabam limitando suas relações apenas ao ambiente virtual, usando a tecnologia como uma forma de escapar da realidade.

Quando precisam enfrentar conversas reais, fora da tela, o pânico aparece. O corpo trava, o medo cresce e a insegurança domina. Isso acontece porque a tecnologia não ensina autoconhecimento, confiança ou controle emocional.

Com isso, surge o chamado “blame circle”, o círculo da culpa: a pessoa pensa no que deveria ter dito, no que poderia ter feito melhor e vive presa no famoso “e se?”. Essa repetição mental só aumenta a vergonha e a ansiedade.

Por isso, a primeira coisa que se deve fazer é controlar os próprios pensamentos. Se você está em uma festa e alguém se aproxima para conversar, seja você mesma. Se não gostarem, o problema não está em você.

Muitas pessoas ficam presas no pensamento: “o que vão achar de mim?”, e esquecem de perguntar: “o que eu vou achar deles?”. Estamos tão preocupados em agradar que esquecemos que também podemos escolher quem merece ficar perto.

Vivemos a nossa própria vida. Somos nós que devemos conduzi-la, não o julgamento dos outros. Se alguém não me faz sentir confortável, eu tenho o direito de me afastar.

Nesse sentido, Friedrich Nietzsche defendia a ideia de “torna-te quem tu és”, mostrando que cada pessoa deve assumir sua própria identidade, em vez de viver presa às expectativas alheias.

Embora não possamos controlar tudo o que pensamos, podemos escolher quais pensamentos alimentar. Podemos deixar alguns morrerem e permitir que outros floresçam.

Antes do meu intercâmbio, eu me sentia extremamente julgada por todos ao meu redor. Eu tinha vergonha até de caminhar. Mas, quando fui capaz de parar de me importar tanto com os outros e comecei a olhar mais para mim, tudo mudou.

Hoje, sou mais feliz, converso muito mais e, principalmente, me permito ser quem eu realmente sou.



vinho vida e vitórias

Avatar de isadora iacks

Resposta

  1. Avatar de Focus Formaturas

    adoro ler tudooo

    Curtir

Deixe um comentário