conversas entre mulheres


Todo dia eu penso no que escrever. Não quero apenas compartilhar um pensamento solto. Quero que a minha escrita tenha profundidade, que faça sentido com o que estou vivendo — ou com o que o mundo está vivendo.

E, sem perceber, o tema apareceu no Carnaval.

Tudo começou no primeiro dia. Eu conhecia apenas uma menina do grupo. As outras cinco eu só sabia o nome. Ainda estávamos naquele momento inicial, meio distante, quando, de repente, a conversa tomou um rumo que me surpreendeu.

Elas começaram a falar sobre seus relacionamentos.

Namorados, ex-namorados, ficantes, sexo, camisinha, histórias íntimas — tudo com uma naturalidade que, para mim, parecia inesperada. Eu não costumo falar sobre esse tipo de assunto com pessoas que acabei de conhecer. Então, fiquei em silêncio. Observando.

E enquanto eu analisava aquela conversa, uma imagem me veio à cabeça: as cenas de Sex and the City, em que quatro mulheres se reúnem para falar sobre relacionamentos, sexo, frustrações e desejos com uma naturalidade quase terapêutica.

Na série, essas conversas nunca são apenas sobre homens. Elas são sobre inseguranças, descobertas, expectativas e, principalmente, sobre apoio. Sobre ter um espaço onde nada parece absurdo ou vergonhoso demais para ser dito.

Em nenhum momento a conversa se voltou diretamente para mim — e, sinceramente, isso me deixou aliviada.

Mas, enquanto elas falavam, algo me chamou a atenção.

Depois de um tempo, a conversa mudou de assunto. E eu percebi que aquele momento tinha feito algo importante: elas já estavam mais próximas.

Foi aí que comecei a pensar.

Talvez as mulheres criem vínculos de uma forma diferente dos homens. Enquanto muitas mulheres se aproximam através da conversa e da troca emocional, muitos homens constroem amizade através de atividades: jogando futebol, videogame, compartilhando experiências práticas.

E isso não acontece por acaso.

Desde pequenos, muitos meninos escutam frases como:

“Homem não chora.”

“Sentimento é coisa de mulher.”

“Engole o choro.”

Essas ideias ensinam que vulnerabilidade é fraqueza. Com o tempo, isso influencia a forma como eles se relacionam, tornando a intimidade emocional menos comum.

Já as mulheres, desde a infância, são incentivadas a falar sobre sentimentos, a serem sensíveis, delicadas, abertas emocionalmente. Para muitas, compartilhar emoções é algo natural — e isso aproxima.

Existe também um outro fator importante.

Historicamente, as mulheres não tiveram uma educação aberta sobre sexualidade. Muitas dúvidas, inseguranças e descobertas precisaram (e ainda precisam) ser compartilhadas entre amigas. Esse espaço de conversa acaba sendo um lugar para entender o próprio corpo, os próprios desejos e o que é saudável ou não em um relacionamento.

Então, talvez aquelas conversas no Carnaval não fossem apenas sobre homens.

Talvez fossem sobre confiança.

Sobre dividir experiências, dúvidas e inseguranças.

Sobre testar o espaço, medir o acolhimento, criar intimidade.

Sobre não se sentir sozinha.

E talvez seja assim que muitas amizades femininas começam: não pelo tempo, nem pela convivência, mas pela coragem de compartilhar algo que nos deixa vulneráveis.

beijos

-isa


Respostas

  1. Avatar de Jedison Iacks

    Eu amei o texto todo, achei tão reflexivo

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  2. Avatar de Jedison Iacks

    Já curti, comentei e compartilhei

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    1. Avatar de isadora iacks

      que bom, obrigada por ajudart

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