Sobre medo, mulheres e silêncio



O último livro que li foi A Amiga Maldita de Beatrice Salvioni. Ele conta a história de uma menina de classe média na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Entre muitos dramas, a parte mais impactante do livro é o estupro de Francesca, cometido no Lambo, e a morte do próprio estuprador, provocada pela “maldita”.

Foi uma das histórias mais impactantes que li este ano. Me abalou profundamente.

Esse livro me fez pensar em tudo o que os homens fazem com as mulheres partindo do pressuposto de que podem — de que são superiores.

Durante a pandemia, o aumento da violência doméstica foi alarmante: na França, cresceu cerca de 30%, e na Austrália, 50%, segundo dados da UN Women News. No Brasil, a situação também é grave. Em 2025, mais de 3,7 milhões de mulheres relataram já ter sofrido algum tipo de violência doméstica, de acordo com o Senado Notícias.

Esses números mostram o quanto as mulheres sofrem pela falta de dignidade, respeito e segurança. São dados assustadores. Para nós, mulheres, isso significa viver em alerta constante — em qualquer lugar.

Homens são ensinados, muitas vezes, a não respeitar mulheres, a agir como se não houvesse consequências. Em nenhum momento coloco a culpa apenas nas mães que educam seus filhos. O problema é muito maior: é o machismo estrutural da sociedade.

Às vezes, esse machismo já está dentro de casa. Outras vezes, mesmo com uma boa educação, a influência da rua, dos colegas, da televisão, dos livros e das redes sociais acaba reforçando o oposto do que foi ensinado.

O mundo está profundamente corrompido pelos maus-tratos às mulheres. O machismo está cada vez mais forte, alimentado por discursos nas redes sociais, como movimentos “red pill” e influenciadores que ensinam “como tratar uma mulher para fazê-la correr atrás”, como se mulheres fossem um jogo ou um prêmio.

Nesse cenário, muitas vezes, as mulheres acabam sem voz para serem quem realmente são.

Desde a infância, somos ensinadas a agir de determinada forma, a sentar de determinada maneira, a falar com cuidado — porque tudo o que fazemos pode ser sexualizado desde muito cedo.

E talvez seja por isso que histórias como a de A Amiga Maldita -Beatrice Salvioni- doem tanto:
porque elas não são apenas ficção. Elas refletem um mundo que ainda falha, diariamente, em proteger mulheres.

E ,dessa forma, precisamos seguir falando, lendo e refletindo — para que um dia essas histórias sejam apenas ficção, não um reflexo da realidade.


-beijos,

isa

Respostas

  1. Avatar de Jedison Iacks

    Tão lindo e profundo, parabéns a escritora

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  2. Avatar de Jedison Iacks

    😍😍

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  3. Avatar de Jedison Iacks

    ❤️❤️❤️

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