
São 11 da noite enquanto escrevo isso.
Passei o dia inteiro pensando sobre o que escrever depois do primeiro post. Pensei em falar sobre sentimentos do cotidiano, alguns hobbies que eu gosto, coisas que vejo no TikTok, como a analog bags, ou até sobre a minha jornada para decidir a faculdade.
Mas nenhuma dessas opções traduz o que realmente ficou em mim depois do ano retrasado.
E foi isso que mais me machucou.
Para começar a história, eu nunca fui, na infância, aquela menina amada por todos. Sofri muito bullying. Muito. Até o dia em que me rebelei contra a menina que fazia isso comigo e os conflitos pararam por um tempo.
Mas ela deixou pequenas “minhoquinhas” na minha cabeça.
Ela dizia que eu era magra demais e feia.
Com o tempo, eu mesma consegui lidar com essa insegurança sobre a minha aparência. Achei que aquilo tinha ficado no passado.
Anos depois, já no ensino médio, no segundo ano, começou o meu verdadeiro pesadelo.
Eu tinha me mudado de escola no início do ano. Cheguei cheia de expectativas, cheia de planos, querendo que aquele fosse um ano incrível.
Alguns meses depois, veio a primeira prova.
Eu tinha estudado muito. Muito mesmo.
Terminei a avaliação cedo, no mesmo horário que alguns colegas saíram. Conversamos sobre a prova, e foi ali que tudo começou.
Perguntei como eles tinham ido.
Todos responderam que tinham achado fácil.
Naquele momento, eu entrei em desespero.
Começou ali uma cobrança extrema para ser melhor do que todo mundo.
Quando a nota saiu, eu tinha tirado uma nota boa — mas não boa o suficiente para alguém que tinha estudado tanto quanto eu.
Eu me decepcionei profundamente.
Depois vieram mais quatro provas. E em todas eu fui… mediana.
Eu estudava todas as tardes, todos os dias, sem descanso. Quando a escola divulgava o calendário de provas, eu entrava em surto novamente. Sentia que iria ir mal em todas, mesmo estudando.

Eu me comparava o tempo inteiro.
Chorei muito quando vi o resultado dessa segunda leva de provas. Não tinha ido como eu esperava.
E quanto mais eu me decepcionava com as minhas notas, mais eu me cobrava. E quanto mais eu me cobrava, mais eu me comparava.
Até que, no final de tantas decepções, eu simplesmente desisti.
Nas últimas provas do ano, eu parei de estudar como antes. Eu lia o dia inteiro, assistia séries, quase não tocava nos cadernos em casa.

E, curiosamente, fiquei mais leve nas aulas. Eu não me cobrava tanto, apenas prestava atenção.
E as notas?
Continuaram as mesmas.
As mesmas notas medianas de quando eu me matava de estudar, chorando de pressão dentro de casa.
Foi aí que eu percebi que o problema não era falta de esforço.
Era o excesso dele.
Era a comparação.
Era a cobrança desumana comigo mesma.
Era a sensação constante de nunca ser boa o suficiente, mesmo fazendo tudo o que podia.
E aquilo me destruiu por dentro de um jeito que eu ainda estou tentando entender.

-beijos, isa.
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