Cultura de mulheres: como o patriarcado influencia tudo



Lendo The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia), percebo como o patriarcado pode construir uma cultura onde as mulheres vivem constantemente sob controle e medo. Na história, apenas algumas mulheres são capazes de gerar filhos, e por isso são obrigadas a viver nas casas de comandantes para cumprir a função de reprodução.

Essas mulheres são forçadas a manter relações sexuais com homens poderosos e mais velhos, muitas vezes contra sua vontade. Tudo isso acontece dentro de uma ideologia que afirma proteger as mulheres, mas que na verdade apenas controla seus corpos e sua liberdade.

Mesmo aquelas mulheres que fazem parte do sistema também reproduzem essa violência. No universo da história, existem mulheres que vigiam, punem e controlam outras mulheres, obrigando-as a seguir regras rígidas e a aceitar a reprodução como seu único destino. Elas pregam a religião, reforçam a disciplina e impedem que as chamadas “aias” tenham desejos, amor ou liberdade.

A justificativa desse sistema é sempre a mesma: antes, as mulheres sofriam abusos, exploração e violência. Por isso, dizem que esse novo sistema seria uma forma de proteção. Porém, na prática, ele apenas substitui uma forma de opressão por outra.

Na realidade, algo parecido acontece em nossa própria sociedade. Ainda vivemos em um mundo estruturado pelo patriarcado, no qual os homens historicamente ocuparam posições de poder. Muitas vezes, esse sistema também se mantém porque algumas mulheres acabam reproduzindo as mesmas ideias que as oprimem.

Talvez, no futuro, possamos construir uma cultura onde as mulheres se sintam verdadeiramente seguras, sem medo e sem a necessidade de controlar ou julgar umas às outras. Uma sociedade onde todas possam viver com liberdade, dignidade e esperança em um futuro melhor.

Muitas pessoas dizem que o feminismo não serve para nada, ou que ele se resume a protestos chamativos. Um exemplo frequentemente citado são manifestações em que mulheres expõem o próprio corpo como forma de protesto contra a sexualização feminina, como a última que aconteceu em Portugal contra a ilha de Epstein.

No entanto, o feminismo vai muito além dessas manifestações. Ele é um movimento social e político que questiona estruturas de poder e desigualdade presentes na sociedade. Ser feminista significa lutar contra um sistema que limita a liberdade das mulheres.

O feminismo também questiona expectativas impostas aos homens. A ideia de que o homem deve ser sempre forte, não pode demonstrar emoções, precisa provar sua masculinidade constantemente ou deve ser o único provedor da família também faz parte dessa estrutura de opressão.

Por isso, o feminismo não busca apenas libertar as mulheres, mas também questionar padrões que prejudicam toda a sociedade.

Uma cultura verdadeiramente justa para as mulheres não pode ser baseada no medo, no controle ou na violência entre elas mesmas. Ela precisa ser construída através do conhecimento, da solidariedade e da compreensão do que realmente significa o feminismo.

Somente quando mais mulheres entenderem seu papel na sociedade e tiverem acesso ao conhecimento e à autonomia será possível evitar que realidades como a apresentada em O Conto da Aia se tornem possíveis.


-beijos

isa


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