
Sempre me pego pensando: o que é, de fato, aproveitar a vida?
Para alguns, é pular de paraquedas.
Para outros, é ler muitos livros, estudar filosofia, viajar o mundo.
Mas, no meio de tantas possibilidades, surge uma pergunta: por que parece que todos nós queremos tudo ao mesmo tempo?
Quando me perguntam o que é aproveitar a vida, a primeira coisa que me vem à mente é simples: fazer o que eu quero. Viajar, escrever muito, amar muito, ler muito.
Mas será que a gente realmente para para pensar nisso?
Ou só repete a ideia de felicidade que vê nos outros?
Um dos estudos mais longos sobre felicidade, conduzido pela Universidade de Harvard, concluiu algo curioso: aproveitar a vida tem menos a ver com dinheiro ou sucesso material e muito mais com relacionamentos próximos, saúde e propósito. Conexões reais, cuidar do corpo e viver o presente são os fatores que mais trazem bem-estar duradouro.

Pensando nisso, lembrei de dois livros que li este ano.
Em A lista de leitura para corações solitários, a personagem Aleisha descobre que aproveitar a vida não está em grandes conquistas, mas em coisas simples: ver a mãe bem, cuidar do irmão e criar laços com pessoas que passam a fazer parte do seu mundo.
Já em A amiga maldita, aproveitar a vida, para a protagonista, significa liberdade — estar com os amigos, desafiar limites e viver experiências intensas.

Histórias diferentes, mas com algo em comum: em nenhuma delas a felicidade está ligada ao dinheiro.
Então por que, na vida real, ainda associamos viver bem a ter mais, ganhar mais, conquistar mais?
Cada grupo tem sua própria ideia de vida ideal.
Para alguns, é construir uma família.
Para outros, é viver de forma simples, perto da natureza.
Mas, no meio de tantas opiniões, quase nunca paramos para fazer a pergunta mais importante:
Como eu quero viver?
Ouvimos conselhos de todos os lados — pais, avós, amigos, redes sociais — e, aos poucos, vamos nos afastando do que realmente queremos.
Sem perceber, começamos a viver no automático.
Escrevi esse texto como um convite para uma pequena reflexão:
O que você fez hoje que, para você, significa aproveitar a vida?
Eu já pulei de paraquedas. Foi uma das experiências mais intensas que já vivi. Hoje, se me perguntarem o que eu escolheria entre pular de paraquedas ou ler um livro, a resposta parece óbvia.

Mas, no avião, olhando pela porta aberta, percebi que não sabia se o frio na barriga era medo da altura ou da decisão.
Então, naquele momento, uma dúvida apareceu: eu realmente queria aquilo ou estava apenas seguindo o entusiasmo de todo mundo?
Não me arrependo. Faria de novo.
Mas a pergunta ficou.
Você está vivendo a sua vida ou apenas entrando na onda dos outros?
Talvez aproveitar a vida não seja fazer o que parece mais incrível.
Talvez seja algo mais simples — e mais difícil:
Escolher por si.
Ser quem você é.
E viver de acordo com isso.

-beijos,
isa
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