
Eu penso muito sobre o quanto eu gosto de ficar sozinha. Me sinto completa na solidão.
Mas nunca tinha refletido sobre como as pessoas ao meu redor se sentem ao me ver assim, mais isolada.
Eu tenho a mania de, quando tudo dá errado, me trancar no quarto. Meus pais ficam preocupados. Meu namorado fica assustado.
Mas talvez eles nunca tenham pensado que esse meu modo de agir é apenas um reflexo de tudo o que eu estou sentindo.
É só um momento em que eu preciso, urgentemente, parar tudo e ficar quieta. Pensando.
Seja no TikTok, escrevendo ou até mesmo lendo.
É um momento em que eu preciso apenas de mim, e preciso estar 100% presente nele.
A minha solidão mostra não só quem sou, mas também como o mundo continua existindo fora de mim.
Clarice Lispector foi uma das autoras que mais falou sobre solidão. Apesar de ser extremamente solitária, ela apreciava a companhia — mas precisava estar sozinha para pensar e escrever suas obras. Isso mostra o quanto a prática da escrita é, por natureza, solitária.
Ela dizia que a sua liberdade vinha da responsabilidade da solidão.
De certa forma, ela mostrava que a sua solitude vinha da sua própria essência. Para ser quem era, era necessário estar sozinha.
Eu acredito que só somos verdadeiramente nós mesmos quando estamos sozinhos.

Sempre fui uma pessoa mais sozinha. Nunca tive muitos amigos, mesmo sendo comunicativa e gostando de cultivar boas relações. Talvez seja por isso que hoje eu tenha apenas dois amigos muito próximos.
Com eles, eu consigo ser quem sou sem me cansar. Consigo rir de coisas bobas, fazer piadas, me divertir. Talvez sejam as únicas pessoas com quem eu não prefira a liberdade da solidão.
Dizem que os gatos gostam da própria solitude e não invadem o espaço pessoal. Acho que é por isso que eu amo tanto a minha gatinha.
Ela está sempre comigo, mas no cantinho dela. Agora mesmo, enquanto escrevo na minha escrivaninha, ela dorme ao lado do computador. Me acompanha, mas respeitando o próprio espaço.
E é exatamente isso que eu mais prezo nas minhas relações.
Eu amo estar com as pessoas, mas gosto de estar com elas de um jeito leve: cada um fazendo algo, mesmo quando o assunto acaba, ou quando só queremos a companhia silenciosa um do outro.
Respeitar a própria solidão — e a dos outros — é essencial.
Talvez gostar de ficar sozinha não seja um sinal de afastamento do mundo, mas uma forma de me reconectar comigo mesma para depois conseguir voltar para ele com mais leveza.
Porque, no fim, é na minha própria companhia que eu encontro descanso.
-beijos,
isa.
poema que fiz sobre o assunto:
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