como eu fui afetada com os meus sonhos

Sonhos.
Uma palavra tão ampla, carregada de significados sentimentais.
O meu maior sonho era passar na faculdade. Agora que as notas saíram, eu descobri que passei.
Mas e agora?
Qual é o meu próximo sonho?
Nós ficamos tão focados nas coisas que queremos que aconteçam que esquecemos de olhar para os sonhos que já realizamos.
Eu não tirei uma nota excelente no ENEM. Talvez por falta de estudo, talvez por nervosismo. Passei muito tempo me culpando, me vitimizando e esquecendo de tudo o que aconteceu durante esse período de vestibular.
Nesse tempo, eu comecei a namorar uma pessoa incrível, que me faz um bem enorme. Me aproximei ainda mais da minha família. Adotei uma gatinha maravilhosa. Comecei um novo diário.

Então por que não ser grata por tudo isso?
Por que não deixar a parte ruim apenas como aprendizado?
Aprendi que não preciso me cobrar tanto com os estudos. Que não preciso me comparar com todo mundo. Que posso, sim, me permitir leveza até em um momento de prova. Que uma avaliação não precisa ser o fim do mundo — são apenas questões que mostram se eu estudei o suficiente ou não.

Um dos meus maiores problemas nos anos passados foi a comparação.
Eu me cobrava tanto que me destruía por dentro. Esquecia quem eu era ao me comparar com os outros. Não conseguia nem acreditar nos meus amigos. E me machucava profundamente quando eles tiravam notas maiores que as minhas.
Hoje, eu percebo que isso afetou até as minhas amizades.
Agora, tento reconstruí-las. Às vezes consigo. Às vezes ainda sinto medo.
Medo de voltar a sentir aquele ponto de inveja que eu não gosto nem de nomear.
Eu não gosto dessa palavra: inveja.
Mas preciso admitir que, no fundo, o que eu sentia era o desejo de também estar vivendo aquilo.
Hoje eu tento me lembrar que nem tudo precisa ser uma disputa, que nem todo resultado define quem eu sou, e que a vida acontece enquanto eu estou ocupada demais me cobrando.
com isso, aos poucos, eu estou aprendendo a ser mais gentil comigo mesma e a reconhecer que já vivi coisas bonitas demais para serem ignoradas.
E talvez, pela primeira vez, eu esteja aprendendo a sonhar sem me machucar no processo.
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